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Prepare for the Fantasporto fantasy, Oporto International Film Festival, in February and March. The city is inundated with the imaginary, the fantastic and science fiction during Fantasporto, considered to be one of the best of this kind in the wor…
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O mostrengo que está no fim do mar Na noite de breu ergueu-se a voar; A roda da nau voou três vezes, Voou três vezes a chiar, E disse: «Quem é que ousou entrar Nas minhas cavernas que não desvendo, Meus tectos negros do fim do mundo?» E o homem do…
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João Monge Ferreira

Fantasporto - Oporto International Film Festival /

Prepare for the Fantasporto fantasy, Oporto International Film Festival, in February and March.

The city is inundated with the imaginary, the fantastic and science fiction during Fantasporto, considered to be one of the best of this kind in the world.

Postado por João Monge Ferreira em 14 janeiro 2010 às 18:00

João Monge Ferreira

Portugal

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Postado por João Monge Ferreira em 13 dezembro 2009 às 19:55

João Monge Ferreira

Oeste, land of vinyards and sea

Postado por João Monge Ferreira em 10 dezembro 2009 às 20:07

João Monge Ferreira

O MOSTRENGO

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:

«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca… Continuar

Postado por João Monge Ferreira em 13 novembro 2009 às 15:31

João Monge Ferreira

Jorge Palma - Encosta-te a Mim

Postado por João Monge Ferreira em 3 outubro 2009 às 16:00

João Monge Ferreira

Green Festival 2009

Entre 18 e 25 de Setembro realiza-se em Portugal a segunda edição do Green Festival, que regressa ao Centro de Congressos do Estoril, numa iniciativa organizada pelo consórcio Green Values e pela Câmara Municipal de Cascais.

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Postado por João Monge Ferreira em 19 agosto 2009 às 17:25

João Monge Ferreira

Turismo de Portugal

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Postado por João Monge Ferreira em 1 agosto 2009 às 15:08

João Monge Ferreira

RECOMENDAÇÕES AOS VIAJANTES

Nuno Abranja

RECOMENDAÇÕES AOS VIAJANTES - No contexto do actual alerta pandémico relacionado com a gripe A(H1N1) e de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde e do ECDC

Postado por João Monge Ferreira em 1 agosto 2009 às 14:53

João Monge Ferreira

Portugal

Postado por João Monge Ferreira em 20 julho 2009 às 15:53

João Monge Ferreira

Portugal, Turismo de Portugal

Postado por João Monge Ferreira em 20 julho 2009 às 15:45

Turismo

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Mesa Marcada

Obsessão

Bill Buford por Chris Buck

 

 

Imagine que ia dar um jantar para amigos e que num excesso de autoconfiança (ou de loucura) resolvia convidar um Chefe famoso, que por acaso até é conhecido de um dos seus amigos, para se juntar ao grupo. O mais provável é que o seu/sua parceiro/a, quando descobrisse iria, por certo, entrar em pânico – já para não falar nos seus amigos, divididos entre a expectativa de assistir à sua humilhação, ou à sua consagração como cozinheiro amador. Foi mais ou menos isto que aconteceu com o nova-iorquino Bill Buford  quando há uns anos resolveu convidar o famoso Chefe Mário Batali para um jantar de amigos, em sua casa.

O episódio abre o livro “ A ferver/Heat” (de 2006, publicado entre nós, pela D. Quixote) onde Buford conta esta e outras aventuras de um entusiasta amador que resolveu largar a sua carreira como editor de uma prestigiada revista, a New Yorker, para conhecer de forma mais profunda o mundo da cozinha. Descreve ele, o momento: “Batali, o Chefe e co-proprietário do Babbo, em Manhattan, é um cozinheiro tão famoso e competente que muito raramente é convidado para uma refeição na casa das pessoas, disse-me ele (…). Eu era o que se pode generosamente considerar um cozinheiro entusiasta, mais confiante do que competente (isto é, apaixonado mas basicamente ignorante)”. Batali acabou por tomar conta da noite e umas largas garrafas de vinho depois resolveu aceder ao pedido de Buford para o aceitar durante uns tempos na cozinha do Babbo. Ao longo das 400 páginas do livro Buford vai relatando o seu dia a dia e todas as aventuras e desventuras de um cozinheiro amador (como está explícito no subtítulo da edição portuguesa. E fá-lo de uma forma tão hábil, minuciosa e cativante que nos deixa agarrados ao livro, sobretudo para quem possui uma costela gourmet.

Este tipo de chamamento é mais comum do que se imagina e assume contornos mais ou menos extremos. Na versão mais radical há quem largue tudo, um trabalho estável e uma boa carreira, para abraçar a ideia de vir  a ser um cozinheiro, quiçá chegar a Chefe, ou até mesmo possuir um pequeno restaurante onde dar azo à “obsessão” (como é mais ou menos o caso relatado no livro). Menos radical, há quem satisfaça a “doença” em part time, como na história que me contaram em que um empresário lisboeta chegava a 6F, despia o fato, colocava o avental e juntava-se à brigada da cozinha sujeitando-se às ordens mais básicas, como qualquer trainee acabado de sair da escola de hotelaria. No primeiro dia tinha-se apresentado ao trabalho de jaleca vestida, impecavelmente engomada, e um kit de facas Global novinhas em folha. Consta que o Chefe, num tom circunspecto, mandou-o para um canto onde ficou a descascar batatas a noite inteira, convencendo-se assim que, após esta tareia rotineira, o empresário aprendiz de cozinha ganharia juízo e não voltaria a aparecer. Só que no dia seguinte lá estava ele de novo, o mesmo acontecendo na semana seguinte, na outra, e assim sucessivamente até hoje, apenas com um ou outro período de interregno.

Há quem se satisfaça elevando a sua obsessão a um nível elaborado, mas sem a necessidade de passar por uma cozinha de um restaurante. Gastam pequenas fortunas a equipar a divisão preferida das suas casas com fogões Molteni, ou Aga; adaptam instrumentos que lhes permitam cozinhar em vácuo; compram em França tachos em cobre ou em ferro fundido feitos apenas por encomenda e não perdem o ultimo grito das facas, dominando todos os pormenores e materiais compostos. Possuem sifões, termómetros com sonda, mini maçaricos e não desdenham a famosa Bimby (Thermomix) – até porque muitos Chefes as usam. E é com toda esta parafernália e algum conhecimento adquirido em cursos com especialistas, que procuram brilhar entre amigos juntando uns pozinhos de perlimpimpim aqui, uns alginatos ali, ou uma espuma acolá. Uns gostam de um cozinha mais “thecno” outros de uma cozinha o mais directa, mas ambos vivem obcecados pelo a busca do sabor supremo sendo que seu prazer em executar é idêntico ao que têm em apreciar. E a satisfação é tanto maior quanto mais complexa for a tarefa e o tempo da sua realização: Um gravadlax de 3 dias, uma cozedura a baixas temperaturas de 48 horas, uma redução de 45 minutos, uma codorniz desossada e recheada a preceito, podem ser troféus exibidos e relatados com orgulho perante qualquer convidado, ou até mesmo apenas como regozijo próprio. Chegam a organizar concursos e confrarias, que por vontade própria se mantém desconhecidas e de acesso restrito. Ter um porco e ser criado de forma tradicional, em Umbria, pode ser um capricho bizarro mas para alguns apanhar o próximo avião para Itália basta uma descrição como a de Batali, através das palavras de Buford: “Para começar, cortou o toucinho em fatias finíssimas e, com um extraordinário floreio de intimidade, colocou-as uma a uma nas nossas línguas, segredando que era preciso deixar a gordura derreter na boca para saborear a sua intensidade. O toucinho era de um porco que, durante o seu ultimo ano da sua vida de 340 quilos, se alimentara de maçãs, nozes e nata (...), e Mário convenceu-nos que, à medida que a gordura se dissolvia, detectaríamos os sabores da ditosa dieta do animal – aí, na parte posterior da boca”.

Se por acaso o leitor nunca foi contagiado por este vírus, ou apenas o foi ligeiramente, pense duas vezes antes de convidar um Chefe de cozinha para lá ir a sua casa jantar. É que arrisca-se a que a sua vida dê uma grande volta. E não era disso que às vezes precisávamos? 

Vítor Claro vai para o Albatroz

O chefe Vítor Claro está de malas feitas para sair do restaurante da Herdade da Malhadinha, em Beja, para ir para o Hotel Albatroz, em Cascais. A separação foi amigável, segundo a família Soares, proprietária desta herdade onde se produzem óptimos vinhos, que agora está à procura de novo chefe.

Descontracção eficaz

 Taberna Ideal

 

“Desculpem lá, a água acabou ontem. Só se for da torneira”. A justificação/solução é insólita, mas verdadeira. E o mais fantástico é que o insólito acaba por assentar bem no lugar. E não se julgue que estamos perante de um bando de irresponsáveis que resolveu abrir um restaurante só porque lhes apeteceu. É que por detrás da aparente negligência há um conceito e um “modus operandi”eficaz. Começa logo pela marcação de mesa. Telefonamos fora de horas de serviço e atende-nos uma voz simpática e despachada que nos avisa que marcações só a partir das 17h e que nos pede para não deixarmos mensagens no gravador porque não têm possibilidade de responder - alem de aproveitar para nos alertar para o facto de não terem pagamento com multibanco. Marcamos para um almoço de Domingo, às 14h. Cinco minutos antes da hora a mesma voz que ouvíramos antes no gravador pergunta-nos com a mesma simpatia se confirmamos a presença e relembra-nos novamente de que não dispõem de multibanco. Pode soar a “pressão” mas há um negócio para gerir e em Portugal usa-se e abusa-se do atraso. Está um inicio de tarde gelada e chove copiosamente. Apesar do nome da rua (Esperança), não há um lugar vago para estacionar. Sem problema: avisámos que estávamos por ali e isso foi quanto baste.

A porta de entrada dá para a sala. Há um balcão a meio revestido a mármore, como o das tabernas (se não é original, dá ares disso). Numa dos lados existe uma estante com uma dezena de livros e por cima uma ardósia enorme ocupa grande parte da parede. Mesas, cadeiras e pratos remetem para um sortido da feira da ladra e apenas o soalho em madeira nova destoa um pouco, mas não o suficiente para afectar a atmosfera descontraída que por ali se sente. Somos recebidos com uma saudação cordial e despachada, sem salamaqueques (a casa está cheia e segundo consta é fundamental marcação com antecedência, sobretudo ao jantar): “olá eu sou a Tânia, ali está a Susana e quando quiserem... estão à vontade”. Parte, pega nuns pratos, avia mais umas mesas e volta: “já cá vieram antes? Não? Então é assim. As nossas propostas estão naquela ardósia e dividem-se em tibornas, entradas e pratos. Vocês são dois e o que costumamos aconselhar é que peçam um de cada e partilhem entre ambos”. Segue-se o conselho. Olha-se para a ardósia e escolhe-se uma tiborna de queijo de cabra, mel e alecrim; uma entrada de cogumelos selvagens com castanhas e, de prato, o cachaço de porco preto com migas de batata. Mas poderia ter sido uma tiborna simples (só com alho e tomate), uma farinheira de Monchique com puré de maçã ou uma das duas saladas. Tal como nos pratos principais, uma açorda de camarão, uma costoleta de vitela com batata gratinada, um lombo de atum braseado, com cebolinho; um hamburquer com queijo ou um bife tártaro. A ordem é mais ou menos esta e a misturada entre tradicional/popular e moderno/urbano sem grandes complicações,acaba por funcionar bem: os clientes revêem-se na ementa, as doses são simpáticas, a comida é saborosa e as conjugações ajustadas (pelo menos no que escolhemos). Isto aliado à boa atmosfera que referimos acima explica, por certo, o sucesso desta taberna cool. A procura de um léxico mais popular permite certamente um posicionamento mais adequado ao conceito da casa No entanto um pouco mais de rigor não lhes ficava mal. Por exemplo: a tiborna é mais uma tartine do que uma tiborna, as migas de batata mais se assemelham a uma esmagada e parte dos cogumelos têm um ar mais 'meigo' (de cultura) do que selvagem.  

A refeição foi acompanhada por um tinto da Niepoort, o Diálogo, escolhido de uma carta (na verdade, um género de caderno) simples e manuscrita composta essencialmente por vinhos de pequenos e médios produtores, com opções de escolha a copo, o que é de salutar.

Por este almoço domingueiro em que aos 3 pratos e que descrevemos (mais o vinho) se acrescentaram duas aprazíveis sobremesas (tarte de requeijão e bolo de cacau), duas Águas das Pedras e dois cafés pagou-se 25€/pessoa o que não sendo propriamente um preço de taberna é um preço justo para o que se recebeu em troca.

 

Contactos: Taberna Ideal, Rua da Esperança, 112 (Santos), Lisboa. Tel:21 396 2744

 

Texto publicado originalmente no suplemento Outlook (Diário Económico) em 16 Janeiro  2010. 

Copo de 3

Vinha de Saturno 2006

Segundo o que se pode ler no site da Dão Sul, a Herdade Monte da Cal é uma propriedade localizada em São Saturnino, perto de Fronteira, encontra-se no norte do Alentejo, com uma área de 100ha. Os solos são fortemente dominados pela argila com xisto à mistura e o clima muito quente no Verão, obriga a que a mão mágica do homem restabeleça o equilíbrio e abra caminho à harmonia e ao equilíbrio da natureza.
É da colheita de 2006 que a conversa se repete e em prova se coloca o novo topo de gama deste produtor por terras Alentejanas, baptizado com o nome da vinha que lhe deu origem, a Vinha de Saturno.
Como refere o rótulo, Saturno é o sexto planeta do Sistema Solar e, antes da invenção do telescópio, era o mais distante dos planetas conhecidos. A olho nu não parecia ser luminoso. O primeiro a observar os seus anéis foi Galileu em 1610; porem a baixa resolução do seu telescópio, fizeram-no pensar que se tratava de grandes luas.
É o segundo maior planeta do Sistema Solar, faz parte dos denominados planetas exteriores e o seu nome deriva do deus romano, Saturno.
Considerado como Deus da Agricultura e do Tempo, tem como dia consagrado o Sábado, que no tempo dos romanos seria chamado de dies Saturni, enquanto que os anglo-saxónicos chamavam de Saeterndaeg ou Saterndaeg, que iria derivar para o Saturday dos dias de hoje.
Tal como Saturno e as suas qualidades saturninas, será caracterizado pela escuridão, frio e peso.

Vinha de Saturno
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Baga - Estágio: 12 meses barricas novas de carvalho francês - 14,5%Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta.

Nariz de aroma inicialmente fechado e com um ligeiro travo químico, pede que o deixem arejar no copo, surgem depois apara de lápis acompanhadas de bálsamo vegetal, especiaria e tosta da barrica a mostrar boa integração com a fruta que se cheira madura (cereja, amora, ameixa) de qualidade com compota bem fresca. Um conjunto que encerra uma boa complexidade, com segundo plano marcado por travo vegetal seco, onde tudo parece querer buscar ainda o melhor sítio para se mostrar, com fundo mineral.

Boca de estrutura coesa, amplo na presença e conquistador nas sensações que transmite. Equilibrado e sem devaneios, a frescura acompanha a prova de início ao fim, sente-se a fruta bem fresca com balsâmico, vegetal seco, torrados, chocolate preto, compota ligeira, especiarias e toque mineral fresco em fundo, mostrando boa persistência final, num conjunto que precisa de algum tempo para melhorar a prova que dá.

É sem dúvida um belo vinho, com uma garrafa que pelo seu peso quase que invoca o próprio Saturno. Um vinho que tem o seu toque muito pessoal fugindo um pouco da grande maioria dos vinhos da região. Agora ou daqui a uns anos, merece ser provado não a solo mas à mesa e em boa companhia. O preço deverá rondar os 35-40€.
17 - 91 pts

Medalhas de papel

Começo este texto a propor um teste, vamos supor que durante uns tempos andaram a treinar para falar sobre determinado assunto durante 3 minutos, sucintamente apenas tinham que dizer o vosso nome a idade e onde moram, depois a determinada altura são encaminhados para uma sala cheia de público onde vão ter de dizer durante os tais 3 minutos o que aprenderam. Obviamente que os melhores desempenhos até vão ter direito a um prémio pois foram os que melhor disseram em tão pouco tempo. Agora imaginem que vão para a mesma sala, mas afinal já não são 3 minutos que vão ter de falar mas sim durante 1 hora. É nessa altura que a vossa conversa se vai tornar repetitiva, enfadonha e muita gente vai sair da sala por já não aguentar mais a ladainha do nome, idade e morada. Resolvem então aprender mais algo que dizer, para que da próxima vez que forem à dita sala, já irem prevenidos e caso vos seja dado mais tempo, já vão saber dizer o tamanho da rua, como são as casas, o número da porta... Voltam então à dita sala cheios de expectativas e para vossa surpresa apenas têm os tais 3 minutos, pelo que são apanhados de surpresa e de tão envergonhados que ficam nem sabem por onde começar, nesse mesmo dia acabou por vencer um dos tais concorrentes que só tinha treinado para os 3 minutos. Agora façam este exercício como se em vez de vocês, estivesse um vinho.

Um concurso de vinhos é essencialmente uma prova onde os provadores tentam provar o maior número possível de vinhos num tempo determinado que por norma é sempre limitado e reduzido. Ou seja, é quase uma corrida contra o tempo onde os vinhos vão sendo literalmente empurrados, espezinhados e esmagados uns contra os outros. Isto para não falar no provador e na saturação do mesmo após provar digamos, 25 vinhos de seguida. O provador tem que num tempo recorde, conseguir avaliar os vinhos que lhe vão caindo no copo, o que contraria e de que maneira aquela indicação de que alguns vinhos antes de consumidos precisam de algum tempo para melhor se mostrarem.
Mas então quem fica a ganhar com isto ? Focando apenas nos brancos, tintos e rosés, apenas e só os vinhos de gatilho rápido, muitos deles feitos para este "negócio" das medalhas e prémios, que raramente mostram grandes dotes quando provados com muito mais tempo do que aquele que foram feitos para durar. Sim é exactamente a conversa do tornarem-se monótonos, chatos, repetitivos, cansativos...
A realidade é que todo e qualquer vinho que beneficie de uma prévia decantação, e todos sabemos que há vinhos que 30 minutos é pouco para dito efeito, acabam por ser claramente prejudicados nestas orgias do vinho, que são os famosos concursos.
Das vezes em que fui júri, sempre me fez confusão aquela roda viva que se monta no vai e vem de vinhos, acabando quase por os ditos cujos nem terem o tempo necessário para se mostrarem. É sempre invocado que há muito vinho para ser provado e como tal não se pode perder muito tempo... somos olhados de lado se dedicamos mais tempo a um vinho do que o necessário para a ocasião. Ali não interessa se determinado vinho vai ganhar algo com o tempo no copo, ali o que interessa são os números finais, o que nós achamos que aquele vinho que ainda mal "comunicou" connosco, vale. E mais uma vez a pergunta surge, quem tem a ganhar com isto ? Os tais vinhos de concurso, os vinhos que se escarrapacham todos no copo, bombas de fruta e madeira, mas que numa mesa a sério nos saturam ao segundo copo ou acabam por ficar sem conversa passado os tais minutos para que foram preparados.

Obviamente que os vinhos medalhados não são maus vinhos por Natureza, são apenas vinhos que despertam um interesse momentâneo, o que não chega a ser suficiente para chegar a outros níveis que uma medalha de ouro supostamente teria que premiar. Tudo isto não quer dizer que não mereçam aquelas medalhas de papel que lhes são atribuídas, pelos menos tem o mérito pois foram os que melhor dissertaram durante aqueles breves minutos. No entanto e como tudo na vida, temos também os exemplares que não pertencendo à categoria do gatilho rápido, pela sua qualidade bem acima da média, conseguem amealhar sem grande espanto medalhas aqui e ali, lembrando aqueles atletas de alta competição, com qualidade reconhecida por todos, mas que vão a vários meetings apenas e só para se irem mostrando ao público.
Hoje em dia as medalhas e os prémios atribuídos são cada vez mais, há vinhos que num desespero de causa chegam a ter colados 3 e 4 papelinhos a dizer olhem para mim que sou um campeão do gatilho rápido, perdendo-se um pouco aquela noção do que é a verdadeira noção de excelência. Hoje em dia por dá cá aquela palha, aparecem vinhos medalhados em tudo quanto é prateleira de hiper ou garrafeira, o consumidor menos prevenido compra porque tem medalha pensando que o tal Ouro premiou a excelência enquanto vinho, puro engano. Afinal quantos vinhos desses que ostentam medalhas são na realidade Grandes Vinhos ?

Portanto se procura vinhos que no imediato, digamos nos primeiros minutos depois de abertos, lhe causem boa impressão, mas que depois são mais do mesmo e que seguramente nunca vão chegar ao tal patamar de excelência, aposte em força nas medalhas de papel.

Monte da Peceguina branco 2008

Dando continuidade às provas de alguns brancos de 2008, rumo ao Baixo Alentejo mais propriamente à Albernoa onde fica situada a Herdade da Malhadinha Nova. É de lá que sai este Monte da Peceguina branco 2008. De invejável consistência qualitativa ano após ano, este vinho confirma-se como um valor seguro para o dia a dia com qualidade acima da média. O preço neste caso ronda os 7€, num vinho que se mostra mais apelativo e apetecível que outros de igual ou superior valor que podemos encontrar nas prateleiras.

Monte da Peceguina branco 2008
Castas: Antão Vaz, Roupeiro e Verdelho - 14% Vol.

Tonalidade amarelo citrino em rebordo esverdeado

Nariz de boa intensidade, cheira a pêssegos e alperces bem maduros e frescos, com algum ananás e citrinos. Complementa-se com a correspondente calda que lhe confere um suave toque melado, floral e travo vegetal fresco em segundo plano. Tudo bem delineado e muito aprumado, em conjunto fresco e harmonioso.

Boca de entrada fresca e frutada, gentil no trato, sentindo-se por vezes como que um certo arredondamento suave e frescura a marcar toda a passagem pela boca, com espacialidade mediana em boa persistência final.

O vinho de 2008 vem na linha do que esta marca nos tem acostumado, apesar de o álcool se apresentar algo exagerado, ainda que bem integrado, para o perfil de branco apresentado, falamos de 14% Vol. É um branco bastante aprumado, com a prova de boca a complementar a provar de nariz, revelando-se fresco e com certa dose de elegância. Transmite uma prova sólida e bastante coesa, num perfil que se torna muito apetecível nos tempos mais quentes. É um vinho que ganha bastante se consumido durante o seu primeiro ano de vida, com preço a rondar os 7€. 15,5 - 89 pts

Cá do Alentejo

Arqueologia

Ferreira do Alentejo, 09 de Fevereiro de 2010. (Foto: Nuno Veiga)

Tá frio!

Elvas, 12 de Dezembro de 2009. (Foto: Nuno Veiga)

Vem chuva?

Évora, 29 de Janeiro de 2010. (Foto: Nuno Veiga)

[a barriga de um arquitecto]

Joshua Prince-Ramus e a marginalização da arquitectura



A primeira ideia que me ocorre ao ouvir a mais recente conferência do Joshua Prince-Ramus no TED é o quão longe a abordagem que ele nos apresenta está da prática que nos rodeia. É como se ele nos falasse não apenas noutra língua mas de um outro planeta. O drama está em que este tipo de procedimento, não de projectar edifícios mas de pensar os próprios processos de fazer arquitectura, não só é completamente diverso do estabelecido no nosso mundo académico como é algo que esse mundo repudia com total displicência. Basta ler as manifestações recorrentes de crítica a algo que não raras vezes se mistura no saco genérico de uma “arquitectura da imagem”, confundindo coisas bem diversas e descartando correntes arquitectónicas fundadas numa complexa mecânica programática.

Atrevo-me a dizer que as nossas escolas não só produzem alunos que não compreendem estas metodologias como os induzem a opor-se a elas. Diligentemente exortam os arquitectos a fundarem-se na crença de um purismo genético, recusando-se a compreender a complexidade disciplinar em que hoje a arquitectura se processa. Grande blasfémia: que pode haver mais arquitectura numa folha de excel do que num eloquente esquisso seminal. Prince-Ramus fala da necessidade de aprender a manipular contratos, em compreender o valor-tempo do dinheiro, em trabalhar sobre estimativas orçamentais. E fala de uma coisa verdadeiramente lunática: estabelecer bases programáticas e trabalhar conjuntamente com o cliente no sentido de construir uma visão sobre os objectivos de projecto; e só depois iniciar um trabalho de concepção formal.

Estamos no território da negação da arte do desenho. Não há lugar a pequenos gestos formais iniciáticos que conduzam à produção da “obra”. Eis uma arquitectura que assume o desejo de desconhecer um resultado final. Uma arquitectura que se pretende como processo de descoberta sem caminhos fáceis. A rejeição do simplismo.
Atrevo-me a dizer que não há outra forma de fazer arquitectura contemporânea. E sublinhar uma ideia que decorre do que expõe Prince-Ramus: que não há boa arquitectura sem um cliente sólido. Os exemplos de falhanço somam-se em nossa volta em obras bem recentes, públicas e privadas, seja pela presença de um mau promotor como pela sua ausência de participação. Não existe ilusionismo para contornar a necessidade de um processo colaborativo e participado, que comprometa arquitecto e promotor na tomada de decisões – e de boas decisões. O projecto do Wyly Theatre, que já passou aqui no blogue, é apenas um exemplo.

Ver: REX, TED, Joshua Prince-Ramus: Building a theater that remakes itself.

Instantâneo

Aviso: este vídeo contém violência explícita e pode impressionar.



O que vemos nestas imagens? O acto heróico de um jornalista que não hesita em despir a sua condição profissional para se tornar parte dos eventos que testemunha? Ou a transferência do olhar jornalístico sobre um drama real para a interposição de uma súbita narrativa de reality-tv?
Não está em causa questionar a coragem e o gesto genuíno de Anderson Cooper e a sua acção resoluta em auxílio de um rapaz ferido numa escaramuça urbana. E não estará em causa a filmagem do acto em si, captada pelo operador de câmara no decurso de uma reportagem sobre actos de pilhagem num bairro de Port-au-Prince. A questão coloca-se no sentido editorial daquele breve episódio em toda a sua dimensão icónica. Entendamos, são imagens que poderemos inscrever desde já na galeria de momentos importantes do jornalismo do ano que ainda agora se inicia. E talvez nenhuma televisão do mundo deixasse de passar aquela sequência, como vem sendo repetida na CNN, sem que se sobreponha uma devida contextualização dos factos e dos seus intervenientes. Sejamos francos: nós queremos ver aquelas imagens e, pior, gostamos de ver aquelas imagens. Mas no momento em que o jornalista se torna no centro do drama – e se escolhe, na posterior montagem, como motivo da notícia – levantam-se vários problemas. Deixamos de estar no plano da grande reportagem para entrar no domínio do reality journalism. Para compreendê-lo importa ver a reportagem integral de Anderson Cooper, que começa por contextualizar as pilhagens a que assistimos e a situação dramática que lhes dá sentido. Mas quando ele se torna participante activo introduz uma espécie de clímax narrativo, em que ele se torna personagem central do evento e aquele jovem se reduz a figurante secundário. Afinal, o que sabemos nós sobre ele? O que faz ele ali e para onde é levado a seguir? E em que contexto entendemos aqueles actos, na fronteira da marginalidade oportunista ou do desespero da carência absoluta?

I love Anderson Cooper * isn't he sexy? mmhmmm:)
Via Twitter.

Assistimos assim ao poder de um momento decisivo que parece dar sentido ao drama mas que introduz sobre ele uma dimensão de natureza ficcional. Ou seja, estamos no domínio do grande plano emocional ou, no caso concreto, de um jornalismo que despreza que aqueles eventos se inscrevem numa dimensão maior – e que a vida daquelas pessoas continua muito para além do breve instantâneo de reportagem. E que não nos pode fazer perder o foco sobre o pesadelo logístico que é a situação no terreno, com a transferência de quatrocentas mil pessoas sem casa para fora da capital, e o esforço de inúmeras agências de apoio internacional que tentam garantir a todo o custo um fio de suporte de vida em mantimentos, medicamentos e segurança.

Um motivo de reflexão, distante mas com paralelismo considerável, que vale a pena aprofundar relembrando as palavras de James Reston, Jr., citado no filme Frost/Nixon, a propósito do poder redutor da imagem. Trata-se de interrogar o papel da televisão – e do jornalismo em televisão – enquanto espelho ilusório da verdade. Estamos afinal na presença de um poderoso mecanismo de simplificação da realidade complexa num instantâneo simbólico que a sintetiza. Em boa verdade, importa continuar a questionar os veículos da comunicação enquanto promotores da cultura da imagem em que vivemos.

You know the first and greatest sin of the deception of television is that it simplifies; it diminishes great, complex ideas, trenches of time; whole careers become reduced to a single snapshot. At first I couldn't understand why Bob Zelnick was quite as euphoric as he was after the interviews, or why John Birt felt moved to strip naked and rush into the ocean to celebrate. But that was before I really understood the reductive power of the close-up, because David had succeeded on that final day, in getting for a fleeting moment what no investigative journalist, no state prosecutor, no judiciary committee or political enemy had managed to get; Richard Nixon's face swollen and ravaged by loneliness, self-loathing and defeat. The rest of the project and its failings would not only be forgotten, they would totally cease to exist.
James Reston, Jr., citado no filme Frost/Nixon.

Casas simples

O BUILDblog traz-nos o exemplo do atelier dinamarquês Vandkusten para nos falar de um conceito pouco dramatizado no panorama da arquitectura: a modéstia – ler BUILDblog: Architecture of modesty. Produzir boa arquitectura para as pessoas que nela habitam e trabalham pode parecer um desígnio demasiado pequeno no espaço competitivo da rede de informação, lugar onde as grandes obras se destacam pelo impacto imediato de uma imagem.
Num tempo de transição económica, em que o outrora dominante papel dos Estados e a crença ideológica nas virtudes da arquitectura se parecem esbater, talvez importe questionar o papel dos arquitectos enquanto comunidade de profissionais cujo trabalho, para uma grande maioria, encontra pouco eco em campanhas de marketing, nas publicações de especialidade e nos meios genéricos da comunicação.


CSD Architecten: Stef & Britt House, Antwerp, Belgium, 2009. Image credits: Luc Roymans.


Elding Oscarson: Townhouse, Landskrona, Sweden, 2009. Image credits: Åke E:son Lindman.


Jo Nagasaka + Schemata Architecture: 63.02º House, Nakano, Tokyo, Japan, 2009. Image credits: Takumi Oota.


Suppose Design Office: House in Sakuragawa, Tokyo, Japan, 2008. Image credits: Suppose Design Office.

Nos mais pequenos exercícios de arquitectura, vamos encontrando práticas carregadas de inovação, de versatilidade na manipulação de tipologias e soluções materiais, a comprovar a validade do nosso trabalho enquanto campo para a criatividade ao serviço da vida humana. As referências que aqui trago, mais ou menos recentes, não são novas; têm merecido destaque pela blogosfera fora, o que não deixa de constituir um reconhecimento feliz das virtudes da internet quando apropriada com o devido discernimento crítico.
Na Casa Stef & Britt encontramos um desses notáveis exemplos. Trata-se de uma apropriação de um lote urbano exíguo, que dá lugar a uma habitação complexa mas materialmente simples. Ali encontramos crueza de acabamentos e desadorno nos pormenores, a par com uma riqueza formal dos espaços e possibilidade de funções atribuídas.
São traços que podemos igualmente identificar na Casa 63.02º ou na Casa Sakuragawa, inscritos na tradição contemporânea Japonesa que nos continua a despertar para as muitas possibilidades informais do habitar.
Na Townhouse, de divulgação muito recente, descobrimos um novo desafio aos conceitos estabelecidos de tipologia: a casa como unidade descompartimentada, uma estrutura espacial suporte de funções e não um somatório de dependências. São práticas que desafiam lugares comuns, pequenos manifestos sobre modos alternativos de pensar, silenciosos na aparência mas carregados de significado em tempos de contenção, nos custos e nos gestos, da arquitectura.
 
 

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EMOCIONAL TOUR - PARTILHAMOS EMOÇÕES.




EMOCIONAL TOUR. PARTILHAMOS EMOÇÕES...

Antes das redes sociais não tínhamos pontos de identidade pessoal na Internet. Existiam apenas ambientes locais - grupos de discussão, fóruns - onde quem entrava adoptava uma identidade local um nick, uma pessoa especificamente pensada para se inserir naquele grupo. O que acontecia era que tínhamos muitas identidades locais para vários locais.

A rede social é um canal de publicação que todos podemos usar, sem mediadores. Mas uma só rede não seria uma rede, seria outra coisa qualquer - um site, uma página… Para existir este conceito de rede social temos que estar conscientes da existência de todas as redes. E todos têm um papel importantíssimo na divulgação da informação actual.

É esta visão que nos guia, aqui no Emocional Tour, todos juntos somos importantes.

Podemos ter muito hardware, muito software mas sós, algo não funciona.

O que funciona é a dinâmica da inteligência colectiva de milhões de utilizadores ligados através da Internet.

Este espaço pretende demonstrar que a web pode e deve ser um espaço de expressão pessoal ou social, conectado e contribuinte para a inteligência colectiva da rede.

Valores:

Criamos as nossas vidas a cada momento; as nossas experiências e as necessidades enviam-nos, portanto, uma imagem viva de nós mesmos. De facto o mundo exterior é como um espelho gigante que reflecte com clareza e precisão o nosso mundo e a nossa forma. A partir do momento em que aprendemos a olhar para ele apercebendo e interpretando o que ele reflecte, dispomos de um utensílio fabuloso.

Mais do que enaltecer a bandeira nacional, o hino de Alfredo Keil ou a riqueza da nossa história e património, manifestamos aqui o nosso brio de "ser português", recordando ao mundo que somos hoje muito mais do que a memória de uma aventura ultramarina.

Recordamos o Portugal que fomos como parte integrante do imaginário que partilhamos e que nos desafia para um futuro cada vez mais audaz, mais global, mas também mais genuíno e assumido.

Viajar é interpretar o mundo, é descobrir um pouco mais de nós próprios, aflorar as nossas emoções. Venha viajar connosco, ao mundo que existe dentro de nós.

Emocional Tour O Guia das Suas Emoções.




 

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